sábado, 11 de agosto de 2012

Panleucopenia felina

Esta postagem é especial para aqueles que criam dezenas de gatos no mesmo ambiente.


Também conhecida como Laringoenterite contagiosa ou Agranulocitose infecciosa felina, a Panleucopenia é a moléstia que mais traz danos à saúde dos felinos jovens. Ela se manifesta comumente em locais onde há aglomerações de gatos, como abrigos de protetores e exposições. O agente causal é o Parvovírus Felino (PVF), um vírus de DNA antigenicamente muito parecido com o parvovírus canino.


O contágio ocorre por inalação ou ingestão de gotículas de secreções provenientes de espirros, tosse e da própria respiração dos animais doentes. O vírus também pode ser eliminado nas fezes dos gatos e nem mesmo os animais que vivem presos estão fora de risco, pois nós, humanos, podemos transportar a doença via fômites (roupas, sapatos etc). Além disso, gatas prenhes transmitem a doença aos filhotes ainda na gestação.


As mortandades ocorrem por se tratar de uma doença altamente contagiosa e de facílima transmissão, sendo o vírus bastante resistente às intempéries climáticas e a desinfetantes comuns, o que lhe permite manter a virulência mesmo depois de um bom tempo fora do organismo animal.


Após um curto período de incubação (dois a sete dias), surgem subitamente sintomas de depressão, falta de apetite, vômitos e diarréia mucosa, algumas vezes com traços de sangue. A febre alta inicial dá lugar à hipotermia com o agravamento da doença. O animal assume uma postura característica, com o queixo e o esterno apoiados no chão, com as escápulas por cima da cabeça. Ulcerações na língua e orofaringe podem mimetizar achados comuns na insuficiência renal. Há anemia, palidez das mucosas e desidratação. A morte pode sobrevir de forma repentina ou após poucos dias. Gatas gestantes que contraírem o PVF podem abortar.


O diagnóstico pode ser estabelecido com base no hemograma. Geralmente observamos anemia, leucopenia (500-3000 células/dL), severa associada a trombocitopenia. Métodos mais precisos são a cromatografia, a sorologia e o isolamento viral, mas esses métodos normalmente não são uilizados porque muitas vezes o resultado demora mais que o tratamento.


Desde que instituído precocemente, o tratamento é bastante eficaz. A terapêutica consiste em medidas de suporte, como fluidoterapia para restaurar o equilíbrio eletrolítico, transfusão sanguínea nos casos mais graves, antibióticos de amplo espectro e suporte nutricional (após o controle da enterite aguda).


A prevenção é feita com a VACINAÇÃO anual dos gatos com a vacina polivalente. O ambiente onde vivem os gatos deve ser rigorosamente lavado com água sanitária.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Câncer em animais


Se por um lado os avanços na medicina veterinária e na farmacologia trouxeram um aumento na expectativa de vida, por outro lado, deram aos animais mais tempo para desenvolver doenças que antigamente não se via. Um exemplo bastante comum são as neoplasias (Neo = novo; plasein = formação).

Normalmente, a divisão celular é regulada por determinados fatores. Quando ocorre alguma lesão a esse sistema de controle, as células podem passar a se dividir de forma desgovernada, mesmo que a causa inicial seja removida. A neoplasia é, portanto, a proliferação desordenada de células de um tecido do organismo. As células neoplásicas começam a se multiplicar e formam um nódulo ou tumor, que pode crescer rapidamente e acabar destruindo o órgão de onde ele se originou.

Os nódulos podem ser soltos e superficiais, apresentando crescimento lento e circunscrito (benignos). Nódulos de crescimento rápido, aderidos e infiltrativos (enraizados) são chamados tumores malignos ou cânceres. As células desse tipo de tumor podem se infiltrar pelo interstício (corpo) do órgão, ganhar a corrente sangüínea ou linfática e produzir novos tumores em outros locais. São as chamadas metástases.

Um tumor, mesmo que benigno, é como um parasita que sobrevive consumindo nutrientes e oxigênio que deveriam suprir o organismo do animal. Devem, portanto, ser retirados.  Além disso, podem causar sérios problemas ao comprimir um órgão ou estrutura vital. É importante frisar também, que nada impede que tumores benignos possam tornar-se malignos. Tudo depende dos tipos de células envolvidas e dos estímulos a que elas estão submetidas.

O diagnóstico definitivo do tipo de nódulo (e se ele é benigno ou maligno) só é feito através da retirada cirúrgica e biópsia do tumor.

Existe tratamento, mas não cura, de forma que há sempre a possibilidade de uma recidiva. Normalmente faz-se a remoção do tumor através de cirurgia. Para isso, é preciso levar vários fatores em consideração, como idade do animal, qualidade de vida, expectativa de sobrevida, cuidados de enfermagem etc.

Você já deve ter ouvido alguém dizer que “quando se mexe no câncer, aí é que ele se alastra”. Não é bem assim, mas isso tem um fundo de verdade. O tumor principal (maior) normalmente secreta substâncias que inibem o crescimento dos nódulos menores (as metástases). Quando o retiramos, deixa de haver este controle e as metástases começam a crescer. É por isso que antes de uma remoção cirúrgica, deve-se fazer vários exames em busca de metástases.

Após a cirurgia pode ser feita quimioterapia (em alguns tipos de câncer), mas seus efeitos colaterais são inúmeros e muitas vezes ela é deixada de lado. Dietas específicas e suplementação nutricional também ajudam. Acupuntura tem sido usada para reduzir o tamanho dos nódulos, controlar a dor e potencializar o efeito da medicação.

Geralmente, o câncer aparece em animais mais velhos. Todas as raças podem desenvolver neoplasias, porém, as mais predispostas são Boxer, Rottweiler, Poodle, Pastor Alemão e Cocker Spaniel.

Não há como prever se um animal desenvolverá um tumor, mas o mais importante na prevenção é dar ao seu bichinho uma boa qualidade de vida, estimular os exercícios regulares e alimentá-lo de forma saudável.