quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Hérnia de disco

A dor nas costas é algo que atormenta muitos seres humanos. Na verdade é raro conhecer alguém que nunca tenha se incomodado com aquela pontada perto do pescoço ou aquele desconforto na lombar.  
Nossos problemas começaram há milhares de anos, quando deixamos de viver em árvores, como os outros primatas, e passamos a viver com os pés no chão. Gradativamente nossa postura foi ficando mais ereta e a força exercida na coluna tornou-se bastante centrada em seu eixo vertical, forçando os discos de uma forma para a qual eles não estavam preparados. Nos animais quadrúpedes, o corpo assume posição horizontal, fazendo com que o peso dos órgãos internos exerça uma força que traciona a coluna para baixo, causando lordose. Neles, este problema é compensado por uma musculatura extremamente adaptada. Além disso, nossos amigos de quatro patas raramente cometem os pequenos erros comuns dos humanos, como o sedentarismo e os vícios posturais nocivos.  

Mesmo assim, cães e gatos não estão imunes aos problemas de coluna. Nos animais mais idosos é comum vermos hérnias de disco, espondilose (bico de papagaio), discoespondilite, calcificação etc.  Por ter uma coluna mais extensa, os dachshunds e bassets são bastante predispostos aos distúrbios desse tipo.

O disco intervertebral funciona como um pequeno amortecedor que fica entre uma vértebra e outra, impedindo o atrito entre elas e suavizando o impacto dos movimentos. Ele é feito de um tecido fibroso, possuindo em seu interior, um núcleo pulposo, semelhante a uma gelatina. Quando o disco se torna desgastado ou sofre alguma lesão que o possa romper, sua massa projeta-se em direção ao canal medular.   

Ao pressionar a medula, a herniação causa literalmente um corte na passagem da informação nos tratos nervosos.

Para entender melhor, vamos a uma pequena e simples explicação anatômica:
A medula espinhal passa por dentro da coluna e faz parte do sistema nervoso central, ligando-se diretamente ao cérebro. Imagine um cano grosso dentro do qual passam outros vários canos finos, como canudinhos. Pois bem; esses canudinhos são os diversos tratos por onde a informação é levada dos mais variados locais do corpo (órgãos, membros etc) até o cérebro.
Entre as vértebras temos orifícios por onde saem os nervos que vão suprir o organismo. Estes ramos são chamados de raízes nervosas. Uma das funções do disco é também servir de proteção para essas raízes e quando ocorre uma hérnia, elas também são comprometidas.
Quando a hérnia pressiona um dos tratos medulares ou alguma raiz nervosa, a informação que passa por ali fica comprometida. Um exemplo: a protrusão do disco pode pressionar um trato espinhal responsável pela inervação dos membros posteriores e causar paralisia desses membros.

A gravidade da lesão depende da velocidade com que é aplicada a força compressiva, do grau de compressão e da duração desta compressão. Os principais sintomas clínicos observados são: dificuldade de locomoção, paralisia dos membros, e incontinência ou retenção urinária e/ou fecal. Pode haver dor local, mas geralmente a sensibilidade à dor nos membros está diminuída ou até ausente.
O tratamento varia com a gravidade da lesão e pode ser conservativo ou cirúrgico. O tratamento conservativo preconiza o repouso absoluto e o uso de antiinflamatórios e nutracêuticos. A fenestração cirúrgica do disco é a opção em animais com quadros mais graves. Nesse contexto, a acupuntura surge como terapêutica de grande importância, podendo auxiliar tanto no tratamento conservativo quanto no cirúrgico.

A ação da ACUPUNTURA se dá de várias formas: primeiro, causando analgesia e diminuindo o desconforto causado pela dor; segundo, através de sua poderosa ação antiinflamatória e, em terceiro lugar, promovendo relaxamento muscular, o que reduz a tensão na musculatura, que normalmente está contraída por causa da dor.
A literatura científica diz que nos animais que perdem a sensação de dor profunda, o prognóstico é reservado, sendo mais difícil sua recuperação. Contudo, temos tido alguns pacientes sem dor profunda que, após 8 a 12 tratamentos demonstraram melhoras significativas (ver caso clínico, ao final do post).

Em caso de acidente com lesão à coluna, deve-se manter o animal em repouso, manipulá-lo com o máximo de cuidado e encaminhá-lo a um médico-veterinário imediatamente. O animal acidentado necessita passar por exames e observação para descartar outros problemas e lesões que tragam risco à vida, como ruptura de órgãos internos, toxemia etc.
Para o diagnóstico exato da herniação, faz-se necessário um minucioso exame radiológico contrastado (mielografia), a fim de enumerar e localizar com precisão as lesões.


Caso Nino
Nino, um Dachshund de 6 anos, estava fadado à eutanásia. Chegou ao consultório sem movimentos nos membros posteriores, nos quais não havia sensação de dor profunda.  Todos os reflexos relativos a estes membros estavam diminuídos. O animal apresentava ainda incontinência urinária e fecal. Foi feito exame radiográfico da coluna, no qual evidenciou-se protrusão de disco entre as vértebras torácicas T10 e T11, T12 e T13 e entre as lombares L1 e L2.
O animal era extremamente estressado e arisco, o que aumentava a tensão em sua musculatura e dificultava ainda mais o tratamento. Às vezes tínhamos que fazer uma sessão de massagem antes da acupuntura, para tentar deixá-lo mais relaxado.
A sensibilidade à dor profunda foi recuperada em 30 dias. Em seguida concentramo-nos na força e no movimento nos membros. Ao fim do tratamento, que durou cerca de 3 meses, ele voltou a andar. É certo que voltou a caminhar com alguma dificuldade de equilíbrio, mas, para um animal que poderia ficar paralítico, os ganhos foram enormes. A incontinência urinária permaneceu ainda por alguns meses, mas aos poucos foi se normalizando.

Referências:
Acupuntura no Tratamento das Afecções Medulares. (Joaquim, Jean G.F.).

Reversão de paralisia em cão da raça Dachshund com tratamento por acupuntura. (Reginaldo Lourenço, Ana Helena Macedo Gouvêa e Mariney Flávia Pereira Di-Tanno Ramalho)

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Conhecendo os carboidratos

Os carboidratos são compostos orgânicos constituídos por carbono, hidrogênio e oxigênio, que geralmente seguem a fórmula empírica [C(H2O)]n, sendo n ≥ 7. A proporção entre os átomos de carbono, hidrogênio e oxigênio é de 1:2:1. Podem ser poliidroxialdeídos ou poliidroxicetonas, isto é, possuem um grupo que pode ser aldeído ou cetona, respectivamente, e várias hidroxilas, geralmente uma em cada átomo de carbono que não faz parte do aldeído ou grupo funcional cetona. 
Além de carbono, hidrogênio e oxigênio, alguns carboidratos apresentam nitrogêniofósforo ou enxofre em sua composição.
Monossacarídeos são os carboidratos com reduzido número de átomos de carbono em sua molécula. O "n" da fórmula geral (CnH2nOn) pode variar de 4 a 7 (triosestetroses,pentoseshexoses e heptoses), sendo os mais importantes as pentoses e as hexoses (C6H12O6). São relativamente pequenos, solúveis em água e não sofrem hidrólise. Devido à alta polaridade, os monossacarídeos são sólidos cristalinos em temperatura ambiente, e assim como os oligossacarídeos, são solúveis em água. 
Os oligossacarídeos são carboidratos resultantes da união de duas a dez moléculas de monossacarídeos. A ligação entre os monossacarídeos ocorre por meio de ligação glicosídica, formada pela perda de uma molécula de água. O grupo mais importante dos oligossacarídeos são os dissacarídeos, formados pela união de apenas dois monossacarídeos. Quando são constituídos por três moléculas de monossacarídeos, recebem o nome de trissacarídeos.
Os oligossacarídeos são solúveis em água, mas como não são carboidratos simples como os monossacarídeos, necessitam ser quebrados na digestão para que sejam aproveitados pelos organismos como fonte de energia.
Os polissacarídeos são carboidratos grandes, às vezes ramificados, formados pela união de mais de dez monossacarídeos ligados em cadeia, constituindo, assim, um polímero de monossacarídeos, geralmente de hexoses. São insolúveis em água e portanto, não alteram o equilíbrio osmótico das células. Os polissacarídeos possuem duas funções biológicas principais, como forma armazenadora de combustível e como elementos estruturais
DERIVADOS DE CHO:
Amidalina - Ácido glicônico - Ácido glicurônico - Ácido sacárico - Sorbitol - Trinitrato de celulose - Piroxilina - Acetato de celulose
FUNÇÕES:
  • Energética: constituem a primeira e principal substância a ser convertida em energia calorífica nas células, sob a forma de ATP. Nas plantas, o carboidrato é armazenado como amido nos amiloplastos; nos animais, é armazenado no fígado e nos músculos como glicogênio. É o principal combustível utilizado pelas células no processo respiratório a partir do qual se obtém energia para ser gasta no trabalho celular.
  • Estrutural: determinados carboidratos proporcionam rigidez, consistência e elasticidade a algumas células. A pectina, a hemicelulose e a celulose compõem a parede celular dos vegetais. A quitina forma o exoesqueartrópodes. Os ácidos nucléicos apresentam carboidratos, como a ribose e a desoxirribose, em sua estrutura. Entram na constituição de determinadas estruturas celulares funcionando como reforço ou como elemento de revestimento.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Dermatofitose

A dermatofitose é um distúrbio dermatológico, causado por fungos que causam lesões na pele, deixando-a suscetível a outras infecções oportunistas. 


É um problema muito comum em cães e gatos, sendo mais freqüente em filhotes, pacientes com baixa imunidade e gatos de pêlo longo.  Entre os cães, os yorkshires e jack russels são as raças mais predispostas.
As lesões de pele na maior parte das vezes são pequenas áreas arredondadas, sem pêlos, circunscritas ou espalhadas, tomando, por vezes, o corpo inteiro. No início, estas lesões podem nem estar visíveis, mas o animal se coça bastante, o que leva o proprietário a procurar atendimento veterinário
Outros sintomas são vermelhidão na pele, pápulas, crostas e seborréia.  Raramente gatos podem apresentar dermatite miliar e/ou nódulos (pseudomicetoma).
Estados subclínicos (assintomáticos) são vistos em gatos de pêlo longo.
O diagnostic pode ser feito de várias maneiras, entre elas o exame com lâmpada de Wood, tricografia, histopatologia, cultura fúngica e Reacão de Cadeia de Polimerase (PCR).

O tratamento pode ser demorado e é feito com o uso de medicação antifúngica oral e tópica, na forma de banhos com xampus específicos prescritos pelo Médico Veterinário.
Muitos animais não chegam a uma cura definitiva, mas podem manter-se sob controle através da pulsoterapia (uso de medicação por tempo prolongado e em dias específicos).

Segundo a dermatologista veterinária Drª Romeika Reis, o que dificulta muito o tratamento é o fato de que os esporos dos fungos podem permanecer viáveis no ambiente por até um ano e meio. Em razão disso, deve-se realizar um rigoroso controle nos lugares onde o animal circula, com o objetivo de remover qualquer material contaminado que possa ocasionar uma recidiva. Todos os paninhos, caminhas, brinquedos e outros utensílios deves ser descartados ou esterilizados com água fervente.
Fonte: www.facmed.unam.mx/deptos
O! A dermatofitose é uma zoonose, ou seja: o ser humano pode sim ser acometido. Impedir que seu animalzinho tenha uma dermatofitose pode não ser fácil, pois o problema é muito comum e de fácil disseminação. Evite mantê-lo em contato direto com outros animais que você não conheça; seque-o muito bem após o banho. De qualquer forma, a vacinação ainda é a melhor maneira de prevenir a doença.


Fotos dos animais: Small animal dermatology: a color atlas and therapeutic guide. Keith A. Hnilica.—3rd ed.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Displasia coxofemoral

Ela é o terror dos proprietários de rottweilers e pastores alemães. A famigerada displasia coxofemural (DCF) é um distúrbio hereditário bastante comum nos cães. Na verdade qualquer raça pode desenvolver o problema, mas raças grandes são mais acometidas.

Na DCF ocorre uma má formação da articulação coxofemural, ou seja, na inserção do membro traseiro na bacia. Os primeiros sintomas podem aparecer cedo, já aos 5 ou 6 meses, mas na maioria dos casos ela só se manifesta na idade adulta. O animal afetado pode mancar e demonstrar dor ao se levantar e ao andar. A dificuldade é maior nos pisos mais escorregadios, como cerâmicas. Nos casos mais graves, o cão pode parar de andar e sofrer atrofia da musculatura do membro posterior.

O diagnóstico da displasia é feito através de um exame simples de raio-x da articulação coxo-femoral. Mesmo em cães assintomáticos o problema pode ser identificado, facilitando bastante a prevenção dos sintomas. Muitos cães portadores vivem normalmente, correm, brincam e nadam como se não houvessem quaisquer problemas, desde que se tomem os os cuidados necessários. O cão da foto ao lado é um pastor alemão de 10 anos que tem displasia grave. Chegou a parar de andar, mas fez o tratamento e hoje vive normalmente, protegendo sua casa e caminhando todos os dias com seu dono.


O tratamento envolve o uso de antiinflamatórios e analgésicos associados a condroprotetores.  É necessário também evitar a obesidade e o consequente excesso de peso sobre a articulação. Exercícios físicos leves também são importantes, mas tem que ser realizados em piso áspero, para evitar escorregões. Aliás, em se tratando de exercício, a natação é uma ótima prática para o fortalecimento das estruturas articulares. Se possível, também deve ser feita uma suplementação nutracêutica visando minimizar o estresse oxidativo e reduzir a ação dos radicais livres, que também causam lesões nos tecidos articulares.

Geneticamente a DCF tem caráter recessivo. Isso quer dizer que o macho e a fêmea precisam ter o gene para transmitir o mal aos filhotes. Acontece que pouquíssimos proprietários sabem do problema e muitas vezes não tem como fazer exames antes da cruza. O cão portador de DCF não deve ser utilizado para reprodução. Mesmo filhotes normais cujos pais tem DCF, não se devem reproduzir. Pois seus filhos poderão herdar o problema dos avós.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Envenenamento

É muito comum no dia-a-dia atendermos animais vítimas de envenenamento causados pelos mais diversos agentes tóxicos. Nem sempre é fácil reverter uma emergência toxicológica; nesses casos, quanto mais rápido for instituída a terapia, maiores são as chances de sucesso.

Na maioria das vezes ocorre ingestão de inseticidas organofosforados ou venenos anticoagulantes usados contra ratos. Há ainda os casos de ingestão acidental ou superdosagem de medicamentos e plantas tóxicas, cada vez mais comuns. E preciso lembrar também que muitos produtos que julgamos inofensivos, podem causar intoxicação nos animais; é o caso do CHOCOLATE, da CEBOLA e de alguns medicamentos de uso humano.

Alguns sinais comuns de possível envenenamento incluem excesso de salivação, convulsões, hemorragias, vômitos, diarréia, dor abdominal, tremores, nervosismo e coma

O mais importante: Se você estiver próximo a alguma clínica veterinária, não perca tempo tentando fazer os primeiros socorros. Corra para lá LEVANDO, SE POSSÍVEL, A EMBALAGEM DO PRODUTO tóxico. Se o agente causal for uma planta, leve uma folha para identificação.
Atenção: Atendimentos emergenciais têm preferência. Ao chegar à clínica, tente manter-se calmo e diga ao atendente o que está ocorrendo. Seu animal terá que passar na frente dos que já estavam esperando, então, seja polido e peça desculpas aos outros proprietários.

Caso não haja possibilidade de se chegar rapidamente à clínica:

1- procure identificar o que o animal ingeriu e a quantidade. Ligue imediatamente para o médico veterinário;

2- Se a ingestão tiver ocorrido há pouco tempo tente fazê-lo vomitar. Para isso, dê uma colher de sopa de água oxigenada para cada 10kg de peso. Se ele vomitar, recolha o conteúdo do vômito e leve-o, junto com o animal, imediatamente ao veterinário;
ATENÇÃO: Se você suspeita que o produto ingerido seja cáustico ou derivado de petróleo, Não induza o vômito!!!

3- Não medique o animal sem saber; você pode piorar a situação;

4- Em caso de contato de produtos químicos na pele, como tintas, óleo queimado, inseticidas etc, lave imediatamente com sabão neutro e água corrente em abundância. EVITE água morna, pois isso dilata os pequenos vasos da pele e aumenta a absorção do produto;
ATENÇÃO: Se o animal estiver com a temperatura baixa, o banho pode matá-lo. Na dúvida, esqueça o banho e corra para a clínica;

5- Se o animal estiver inconsciente ou tendo convulsões, enrole-o em um cobertor e leve-o imediatamente a um médico veterinário;
ATENÇÃO: Não se desespere e nem tente segurar a língua do animal (você pode perder um dedo assim). Apenas proteja a cabeça dele, para evitar traumatismos e procure atendimento veterinário;

6- Se houver vômitos involuntários enquanto o animal está inconsciente, mantenha sua cabeça na posição anatômica, voltada para baixo, evitando que ele se engasgue com o próprio vômito;

7- Procure atendimento médico-veterinário o mais rápido possível.

Previna o envenenamento.
-Use os produtos de acordo com a bula, seguindo as recomendações de segurança;
-Não coloque veneno para rato ou baratas em locais onde o animal possa encontrar. Lembre-se de que se o animal teve acesso ao veneno, suas crianças também podem ter.
-Cuidado ao usar inseticidas;
-Usar medicamentos com cautela. Muitos medicamentos de uso humano podem matar um animal.

Produtos cáusticos incluem: detergentes de louça, água sanitária, desentupidores de ralos, removedores de gordura e desinfetantes.

São derivados do petróleo, entre outros: combustíveis, solvente de tinta, cera para chão e solução de limpeza a seco.
Outros agentes que comumente podem causar envenenamento em animais são: bebidas alcoólicas, maconha, amônia, plantas tóxicas, água sanitária, chocolate, detergentes, desinfetantes, fertilizantes, lustra-móveis, cola, alguns medicamentos de uso humano, naftalina, veneno de rato, inseticidas, cebola, tintas removedores e diluentes de tintas, graxa de sapato, óleo de freio automotivo e pastilha sanitária.

domingo, 17 de março de 2013

Intoxicação por medicamentos

Felinos são mais sensíveis à intoxicação
Os médicos sempre nos dizem para evitar a automedicação, não é? Então amigos, respondam-me: por que medicar seu pet por conta própria? Isso seria correto? São cada vez mais comuns na casuística hospitalar veterinária os envenenamentos causados por esse tipo de atitude. Às vezes, o proprietário o faz no desespero, às vezes porque pensa “um comprimidinho desses que eu tomo direto?! Ah...se não fizer bem; mal não vai fazer”. Ledo engano! Imagine você, caro internauta, a dor dessas pessoas quando temos que lhes dizer que seu animalzinho se foi por causa do remédio que ele deu?!
Existem muitas semelhanças entre a nossa fisiologia e a dos animais; porém, pequenos detalhes como a falta de uma enzima específica podem fazer com que o animal não possa metabolizar certas substâncias. Em outros casos, o que ocorre é uma sensibilidade aumentada a certos efeitos colaterais indesejáveis. Aqui vai uma pequena lista de ALGUNS dos medicamentos proibidos, ou que devem ser usados com cautela em cães e gatos.

1- Diclofenaco sódico e potássico - Não tenho dados estatísticos, mas acredito que este seja um dos produtos que mais causa mortes por envenenamento medicamentoso em pequenos animais. Trata-se de um antiinflamatório muito usado na medicina humana, porém, mortal para os cães e gatos. Não é raro atendermos pacientes intoxicados com este produto. O trágico disso tudo é que na maioria das vezes, são animais de proprietários que trabalham na área da saúde;
2- Ivermectina: É o que comumente se popularizou como “vacina do carrapato”. Absurdo haver profissionais que ainda dizem isso por aí! Não existe "vacina" contra carrapatos. A ivermectina é um antiparasitário desenvolvido inicialmente para uso em grandes animais. Na clínica de pequenos animais, ela é usada (com CAUTELA) no tratamento de algumas dermatopatias parasitárias específicas. De qualquer forma, ela é PROIBIDA para cães dolicocéfalos (de focinho longo) como Collie, Pastor de Shetland, Border Collie e outros;
3-Escopolamina: Antiespasmódico. Tem um menor risco de causar problemas, mas deve ser usado com CAUTELA;
4- Acepromazina: Tranquilizante bastante utilizado e seguro para a maioria dos cães; porém, nas raças braquicefálicas (de focinho curto), sobretudo no boxer, deve ser usado com cuidado.

Estes acima citados são as causas mais comuns de intoxicação por medicamento nos cães. No entanto, é importante frisar que QUALQUER MEDICAMENTO NA DOSE ERRADA PODE TRAZER RISCOS SÉRIOS À SAUDE DO SEU ANIMAL.

Os felinos tem uma séria deficiência em algumas enzimas que atuam na conjugação e transformação de substâncias no fígado, o que os deixa bem mais sensíveis à intoxicação por medicamentos.

A seguir, a lista de medicamentos proibidos ou usados com cautela em gatos. ATENÇÃO: Não dê esses produtos ao seu animal, a não ser sob PRESCRIÇÃO do médico veterinário:

1-Diclofenaco sódico e potássico: antiinflamatório e analgésico;
2-Ácido Acetilsalicílico: antiinflamatório. Velho conhecido da farmacopéia humana;
3-Paracetamol ou Acetaminofeno: analgésico e antitérmico;
4-Peróxido de benzoila: queratolítico, anti-séptico;
5-Piroxicam: antiinflamatório;
6-Quinolonas: antibióticos.
7-Carprofeno: antiinflamatório;
8-Lidocaína: antiarrítmico, anestésico local;
9-Griseofulvina: antifúngico;
10-Clonazepan: anticonvulsivante;
11-Cloranfenicol: antibiótico;
12-Analgésicos opiódes: morfina, oximorfina, meperidina, tartarato de butorfanol, fentanil, codeína;
13-Amitraz: ectoparasiticida;
14-Ácido Valpróico: anticonvulsivante;
15-Amiodarona: antiarrítmico cardíaco;
16-Antisépticos urinários que contenhamm azul de metileno e fenazopiridina;
17-Benzoato de benzila: usado no combate à sarna e aos piolhos;
18-Benzocaína: anestésico local;
19-Carbonato de lítio: usado para tratar alterações comportamentais em humanos;
20-Cisplatina: antineoplásico;
21-Digitoxina: cardiotônico;
22-Fenilbutazona: antiinflamatório;
23-Fluorouracil: antineoplásico;
24-Fosfato de sódio: acidificante urinário, laxante e para tratamento de hipercalcemia
25-Oxifenilbutazona: antiinflamatório;
26-Primidona: anticonculsivante;
27-Aciclovir: antiviral;
28-Amitriptilina: antidepressivo e ansiolítico;
29-Amprólio: antiprotozoários;
30-Azatioprina: causa mielossupressão;
31-Clorpropamida: hipoglicemiante, uso para tratamento de diabetes insípidus;
32-0Compostos fenólicos: hexaclorofeno, propofol, dipirona, álcool benzílico, triclosan
33-Dietilestilbestrol: estrógeno sintético;
34-Fenitoína: anticonvulsivante;
35-Ibuprofeno: analgésico;
36-Iodeto de potássio: expectorante e antifúngico;
37-Iodeto de sódio: expectorante e antifúngico;
38-Loperamida: antidiarréico;
39-Naproxeno: antiinflamatório;
40-Escopolamina: antiespasmódico;
41- Ivermectina: antiparasitário.