sexta-feira, 19 de julho de 2013

Displasia coxofemoral

Ela é o terror dos proprietários de rottweilers e pastores alemães. A famigerada displasia coxofemural (DCF) é um distúrbio hereditário bastante comum nos cães. Na verdade qualquer raça pode desenvolver o problema, mas raças grandes são mais acometidas.

Na DCF ocorre uma má formação da articulação coxofemural, ou seja, na inserção do membro traseiro na bacia. Os primeiros sintomas podem aparecer cedo, já aos 5 ou 6 meses, mas na maioria dos casos ela só se manifesta na idade adulta. O animal afetado pode mancar e demonstrar dor ao se levantar e ao andar. A dificuldade é maior nos pisos mais escorregadios, como cerâmicas. Nos casos mais graves, o cão pode parar de andar e sofrer atrofia da musculatura do membro posterior.

O diagnóstico da displasia é feito através de um exame simples de raio-x da articulação coxo-femoral. Mesmo em cães assintomáticos o problema pode ser identificado, facilitando bastante a prevenção dos sintomas. Muitos cães portadores vivem normalmente, correm, brincam e nadam como se não houvessem quaisquer problemas, desde que se tomem os os cuidados necessários. O cão da foto ao lado é um pastor alemão de 10 anos que tem displasia grave. Chegou a parar de andar, mas fez o tratamento e hoje vive normalmente, protegendo sua casa e caminhando todos os dias com seu dono.


O tratamento envolve o uso de antiinflamatórios e analgésicos associados a condroprotetores.  É necessário também evitar a obesidade e o consequente excesso de peso sobre a articulação. Exercícios físicos leves também são importantes, mas tem que ser realizados em piso áspero, para evitar escorregões. Aliás, em se tratando de exercício, a natação é uma ótima prática para o fortalecimento das estruturas articulares. Se possível, também deve ser feita uma suplementação nutracêutica visando minimizar o estresse oxidativo e reduzir a ação dos radicais livres, que também causam lesões nos tecidos articulares.

Geneticamente a DCF tem caráter recessivo. Isso quer dizer que o macho e a fêmea precisam ter o gene para transmitir o mal aos filhotes. Acontece que pouquíssimos proprietários sabem do problema e muitas vezes não tem como fazer exames antes da cruza. O cão portador de DCF não deve ser utilizado para reprodução. Mesmo filhotes normais cujos pais tem DCF, não se devem reproduzir. Pois seus filhos poderão herdar o problema dos avós.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Envenenamento

É muito comum no dia-a-dia atendermos animais vítimas de envenenamento causados pelos mais diversos agentes tóxicos. Nem sempre é fácil reverter uma emergência toxicológica; nesses casos, quanto mais rápido for instituída a terapia, maiores são as chances de sucesso.

Na maioria das vezes ocorre ingestão de inseticidas organofosforados ou venenos anticoagulantes usados contra ratos. Há ainda os casos de ingestão acidental ou superdosagem de medicamentos e plantas tóxicas, cada vez mais comuns. E preciso lembrar também que muitos produtos que julgamos inofensivos, podem causar intoxicação nos animais; é o caso do CHOCOLATE, da CEBOLA e de alguns medicamentos de uso humano.

Alguns sinais comuns de possível envenenamento incluem excesso de salivação, convulsões, hemorragias, vômitos, diarréia, dor abdominal, tremores, nervosismo e coma

O mais importante: Se você estiver próximo a alguma clínica veterinária, não perca tempo tentando fazer os primeiros socorros. Corra para lá LEVANDO, SE POSSÍVEL, A EMBALAGEM DO PRODUTO tóxico. Se o agente causal for uma planta, leve uma folha para identificação.
Atenção: Atendimentos emergenciais têm preferência. Ao chegar à clínica, tente manter-se calmo e diga ao atendente o que está ocorrendo. Seu animal terá que passar na frente dos que já estavam esperando, então, seja polido e peça desculpas aos outros proprietários.

Caso não haja possibilidade de se chegar rapidamente à clínica:

1- procure identificar o que o animal ingeriu e a quantidade. Ligue imediatamente para o médico veterinário;

2- Se a ingestão tiver ocorrido há pouco tempo tente fazê-lo vomitar. Para isso, dê uma colher de sopa de água oxigenada para cada 10kg de peso. Se ele vomitar, recolha o conteúdo do vômito e leve-o, junto com o animal, imediatamente ao veterinário;
ATENÇÃO: Se você suspeita que o produto ingerido seja cáustico ou derivado de petróleo, Não induza o vômito!!!

3- Não medique o animal sem saber; você pode piorar a situação;

4- Em caso de contato de produtos químicos na pele, como tintas, óleo queimado, inseticidas etc, lave imediatamente com sabão neutro e água corrente em abundância. EVITE água morna, pois isso dilata os pequenos vasos da pele e aumenta a absorção do produto;
ATENÇÃO: Se o animal estiver com a temperatura baixa, o banho pode matá-lo. Na dúvida, esqueça o banho e corra para a clínica;

5- Se o animal estiver inconsciente ou tendo convulsões, enrole-o em um cobertor e leve-o imediatamente a um médico veterinário;
ATENÇÃO: Não se desespere e nem tente segurar a língua do animal (você pode perder um dedo assim). Apenas proteja a cabeça dele, para evitar traumatismos e procure atendimento veterinário;

6- Se houver vômitos involuntários enquanto o animal está inconsciente, mantenha sua cabeça na posição anatômica, voltada para baixo, evitando que ele se engasgue com o próprio vômito;

7- Procure atendimento médico-veterinário o mais rápido possível.

Previna o envenenamento.
-Use os produtos de acordo com a bula, seguindo as recomendações de segurança;
-Não coloque veneno para rato ou baratas em locais onde o animal possa encontrar. Lembre-se de que se o animal teve acesso ao veneno, suas crianças também podem ter.
-Cuidado ao usar inseticidas;
-Usar medicamentos com cautela. Muitos medicamentos de uso humano podem matar um animal.

Produtos cáusticos incluem: detergentes de louça, água sanitária, desentupidores de ralos, removedores de gordura e desinfetantes.

São derivados do petróleo, entre outros: combustíveis, solvente de tinta, cera para chão e solução de limpeza a seco.
Outros agentes que comumente podem causar envenenamento em animais são: bebidas alcoólicas, maconha, amônia, plantas tóxicas, água sanitária, chocolate, detergentes, desinfetantes, fertilizantes, lustra-móveis, cola, alguns medicamentos de uso humano, naftalina, veneno de rato, inseticidas, cebola, tintas removedores e diluentes de tintas, graxa de sapato, óleo de freio automotivo e pastilha sanitária.